Vendedora arrastada por gerente para “sala da sarrada” mostra o local; veja – Pior dia da minha vida

Uma ex-vendedora da Tim, vítima de uma tentativa de estupro por parte de um gerente e outro colega de trabalho, compartilhou uma foto do local em que aconteceu a violência. A pequena cozinha usada pelos funcionários da filial do Norte Shopping, Zona Norte do Rio de Janeiro, era chamada de “salinha da sarrada” pelos acusados. As informações são do G1

“Onde vivi o pior dia da minha vida, na ‘sala da sarrada’”, escreveu a jovem na legenda da publicação.

A mulher foi demitida por justa causa da loja da operadora de telefonia após, segundo ela, usar o canal interno da empresa para denunciar a tentativa de estupro por parte dos colegas.

A vítima também postou nas redes sociais trechos do inquérito policial ao saber que o material foi aceito pela Justiça do Rio para a abertura de um processo por estupro.

O documento indica que o gerente pressionou a ex-vendedora a pedir demissão e desistir da denúncia. Na delegacia, ele se defendeu dizendo que já havia visto fotos íntimas da vítima e que ela não “fazia seu tipo”. 

Ao saber que a jovem procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência, no início de junho, o homem a ameaçou: “Lá fora você não me conhece”. 

Inquérito tentativa de estupro de vendedora da Tim no Rio de Janeiro

No dia 5 de agosto, o Ministério Público entregou a denúncia contra o gerente e o vendedor ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O juiz Marcos Augusto Ramos Peixoto, da 37ª Vara Criminal do Rio, aceitou a acusação e a transformou em processo no último dia 10. Os dois acusados foram demitidos na sexta-feira (13).

Tentativa de estupro

A ex-vendedora usou as redes sociais para relatar que foi demitida por justa causa após usar o canal interno da empresa para denunciar o crime, que aconteceu no dia 15 de abril deste ano. Conforme o delegado responsável pelo caso, Deoclécio Assis, um dos acusados chamava o espaço do refeitório de “sala da sarrada”.

Conforme o G1, a vítima relatou que continuou trabalhando normalmente no local após o episódio, mas, diante da dificuldade em se relacionar com os acusados, decidiu recorrer ao canal interno. “Decidi fazer a denúncia interna na TIM e responder uma avaliação da gestão do gerente geral, mal eu sabia que minha vida se tornaria ainda pior. Ele começou o olhar de cara feia e a me excluir dos grupos de trabalho para o meu bom desempenho profissional. Até que no dia 01.06.2021, me chama até a sala e depois chama os dois colegas de trabalho que presenciaram que eu fui atacada, humilhada de várias formas, ameaçada e coagida simplesmente porque ele teve acesso à denúncia e à avaliação da sua gestão, que eu claramente respondi de forma negativa”, escreveu na rede social.

A jovem ainda relatou que após o ocorrido procurou no mesmo dia a 23ª DP, no bairro Méier. Local onde registrou um boletim de ocorrência, o que a deixou abalada, precisando de atendimento médico que resultaram em uma licença de dois dias, renovada por mais cinco. 

Ao final do prazo, ela foi convocada até a sede da empresa, na Barra da Tijuca, onde foi demitida. 

“A coordenadora me demitiu por justa causa, no meio de uma crise de ansiedade, e me demitiu de forma humilhante, falando sobre eu ter ferido a honra dos meus superiores e colegas de trabalho, quebrando o código de ética da TIM”, contou a mulher.

A mulher acrescentou ainda que foi diagnosticada com depressão, ataque de pânico e estresse pós-traumático. “Eu estava falando a verdade, não teria motivo para mentir e destruir minha carreira e minha vida”, disse.  

O que diz a empresa

Procurada pelo G1 para se manifestar sobre o caso, a TIM enviou uma nota afirmando que a apuração dos fatos ocorre sob sigilo e que lamenta a situação da funcionária, além de assegurar manter um “canal sério e sigiloso” para denúncias.

Confira a íntegra da nota abaixo:

“A TIM repudia veementemente qualquer situação de violência, abuso ou assédio e esclarece que o caso se encontra sob apuração sigilosa por parte das autoridades competentes.

Em função do recebimento da denúncia do Ministério Público, pelo Juiz Criminal, a empresa demitiu os dois colaboradores.

A empresa lamenta a situação exposta pela ex-colaboradora e informa que entrou em contato com a mesma para prestar apoio e suporte psicossocial a ela e a sua família. A empresa esclarece que qualquer decisão tomada com relação a seus colaboradores é sempre feita de forma imparcial e baseada em fatos apurados e documentados.

Ressalta-se, ainda, que a demissão da ex-colaboradora se deve a eventos pregressos vinculados à relação de trabalho e totalmente alheios aos fatos relatados. ” G1

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